Ciclone-bomba mata um e deixa feridos no RS; SP e Rio em alerta
- 7 de ago.
- 4 min de leitura
Fenômeno matou um motociclista e feriu cinco pessoas no Rio Grande do Sul; SP e Rio agora enfrentam alerta para rajadas de até 110 km/h.
Um ciclone-bomba provocou estragos no Rio Grande do Sul nesta sexta-feira (7) e agora coloca São Paulo e o Rio de Janeiro em alerta para rajadas de vento que podem ultrapassar 110 km/h. Segundo a Defesa Civil gaúcha, o fenômeno deixou um morto, cinco feridos e registrou danos em 118 municípios do estado. Enquanto o núcleo do sistema se afasta para o oceano Atlântico, a frente fria associada a ele avança sobre o Sudeste, elevando o nível de alerta em cidades do litoral.
Estragos e vítima no Rio Grande do Sul
A única morte confirmada até o momento ocorreu em Montenegro, na Grande Porto Alegre: um motociclista de 33 anos foi atingido pela queda de uma árvore na rodovia RS-124. Além da vítima fatal, cinco pessoas ficaram feridas em diferentes municípios gaúchos, conforme balanço divulgado pela Defesa Civil estadual.
Entre as cidades mais atingidas estão Pedro Osório e Pelotas, no Sul do estado, onde um tornado associado a uma supercélula de tempestade derrubou árvores, provocou destelhamentos e deixou moradores sem energia elétrica. Em razão dos danos, Pedro Osório suspendeu as aulas na rede municipal e interrompeu o transporte escolar até Pelotas.
Ainda de acordo com painel da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), cerca de 294 mil endereços ficaram sem fornecimento de energia no Rio Grande do Sul por volta das 10h desta sexta-feira. De acordo com o portal Brasil247, rajadas de vento chegaram a superar 120 km/h durante a passagem do sistema pelo Sul, na quinta-feira (6) — patamar acima do teto de 100 km/h inicialmente previsto pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para o estado.
No entanto, a expectativa das autoridades é de que os transtornos não se repitam com a mesma intensidade. Ana Maria Hermes, diretora do Departamento de Gestão de Risco da Defesa Civil gaúcha, avalia que o ciclone já avançou para o mar e não representa mais grande ameaça para a região.
O que é um ciclone-bomba
Tecnicamente chamado de ciclogênese explosiva ou bombogênese, o fenômeno ocorre quando uma área de baixa pressão atmosférica se intensifica de forma muito rápida, em geral pelo encontro entre uma massa de ar fria e outra mais quente. Para receber a classificação de ciclone-bomba, a pressão central do sistema precisa cair pelo menos 24 milibares em um intervalo de 24 horas. Contudo, o termo "bomba" faz referência à velocidade dessa queda de pressão — batizada assim pela forma explosiva como o sistema se forma — e não a uma explosão propriamente dita.
Nesse caso, a formação começou a se desenhar na quinta-feira (6), entre o litoral do Uruguai e o do Rio Grande do Sul. Conforme estimativas do Inmet, a pressão central deve cair de 967 hPa nesta sexta-feira para cerca de 941 hPa no sábado (8), variação que confirma o processo de bombogênese em curso. O órgão prevê o sábado como o momento de maior intensidade do sistema, que a partir de então deve começar a perder força.
Diante do quadro, o Inmet chegou a emitir alerta de "grande perigo" (nível vermelho) para o Rio Grande do Sul, além de avisos de "perigo" (laranja) e "perigo potencial" (amarelo) para áreas de Santa Catarina, Paraná e São Paulo.
São Paulo e Rio de Janeiro em alerta
Ao mesmo tempo em que o núcleo do ciclone permanece sobre o oceano, sem atingir diretamente o Sudeste, a frente fria vinculada ao sistema levou nuvens carregadas e ventania para São Paulo, o Rio de Janeiro e Minas Gerais. A Defesa Civil paulista colocou nove das 16 regiões do estado em alerta vermelho, com destaque para a Baixada Santista, apontada como a área de maior risco.
As rajadas de vento no litoral paulista e fluminense podem superar 100 km/h e, em pontos específicos, chegar a 110 km/h. Já em cidades como Campinas, Ribeirão Preto e o Sul de Minas Gerais, a previsão é de ventos entre 71 km/h e 90 km/h. Pela manhã desta sexta, a ventania chegou a interromper temporariamente a operação do Porto de Santos, assim como a travessia de balsas entre Santos e Guarujá e entre São Sebastião e Ubatuba, no litoral norte paulista. Em seguida, os serviços foram normalizados.
Por outro lado, a previsão de mau tempo levou as prefeituras de Bertioga, Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba a suspender as aulas na rede pública durante todo o dia, enquanto Itanhaém interrompeu as atividades apenas no período da manhã. Como medida preventiva, o governo paulista instalou um Gabinete de Crise já na quinta-feira para acompanhar os impactos do fenômeno até sábado.
Enquanto isso, no Rio de Janeiro, tanto a Prefeitura da capital quanto o governo estadual suspenderam as aulas das redes municipal e estadual nesta sexta-feira. A mesma medida foi adotada em Paraty e em Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense, região para a qual a Defesa Civil estadual prevê rajadas entre 90 km/h e 110 km/h.
Recomendações e riscos
Diante do risco de queda de árvores, postes e estruturas metálicas, as Defesas Civis dos estados afetados orientam a população a evitar áreas abertas e permanecer longe de estruturas instáveis. Além disso, no litoral, a recomendação é não entrar no mar nem utilizar embarcações enquanto durar o alerta. No Rio de Janeiro, a Defesa Civil estadual chegou a orientar os moradores a evitar deslocamentos e buscar locais seguros diante do novo alerta severo emitido para a capital. Portanto, a orientação geral às populações das áreas de risco é de cautela redobrada até que o sistema perca força, neste sábado. Entre os principais riscos apontados estão destelhamentos, danos a placas e outdoors, interrupções no fornecimento de energia e transtornos no tráfego aéreo e marítimo.
Próximos passos
A previsão é de que o ciclone atinja sua maior intensidade neste sábado (8), quando deve se afastar definitivamente para o Atlântico. Posteriormente, a tendência é de enfraquecimento gradual do sistema, acompanhado de queda expressiva das temperaturas em parte do Centro-Sul do país — efeito típico do rastro de um ciclone-bomba. Além do Rio Grande do Sul, de São Paulo e do Rio de Janeiro, estados como Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul seguem sob monitoramento diante da possibilidade de novos vendavais.



Comentários