Tropa de Elite 2 conquista lugar entre as 100 melhores continuações da história do cinema.
- 14 de ago.
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Filme brasileiro dirigido por José Padilha ocupa a 66ª posição em seleção internacional do site IndieWire e reafirma a força de uma obra que ultrapassou as bilheterias para provocar o debate social.
por Regina Papini Steiner - Notifica News
Dezesseis anos após chegar aos cinemas, Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora É Outro continua atravessando fronteiras. O longa-metragem brasileiro, dirigido por José Padilha e protagonizado por Wagner Moura, foi incluído na lista das 100 melhores continuações da história do cinema elaborada pelo site norte-americano IndieWire, especializado na cobertura da indústria audiovisual.
O filme aparece na 66ª posição, ao lado de produções consagradas internacionalmente, como O Poderoso Chefão: Parte II, O Exterminador do Futuro 2, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban e Operação França 2. O topo da seleção ficou com Magic Mike XXL, seguido por O Poderoso Chefão: Parte II e 2046, do cineasta Wong Kar-wai.
Mais do que uma classificação, a presença de Tropa de Elite 2 na lista chama a atenção para a capacidade do cinema brasileiro de criar histórias profundamente locais e, ao mesmo tempo, compreensíveis em diferentes partes do mundo. A obra fala sobre o Rio de Janeiro, mas expõe mecanismos de poder, corrupção, violência e desigualdade reconhecíveis em muitas sociedades.
Lançado em 2010, o segundo filme ampliou o universo apresentado em Tropa de Elite, de 2007. Se no primeiro longa o foco estava principalmente na atuação do Batalhão de Operações Policiais Especiais, o BOPE, a continuação voltou o olhar para uma estrutura mais complexa: as ligações entre milícias, agentes públicos, interesses eleitorais, meios de comunicação e setores da política.
Na trama, Roberto Nascimento, vivido por Wagner Moura, deixa o comando operacional e assume uma posição estratégica na segurança pública do Rio de Janeiro. Aos poucos, percebe que o problema enfrentado é maior do que o tráfico de drogas. O inimigo não se encontra apenas nas ruas ou nas comunidades, mas também ocupa gabinetes, controla territórios e participa das engrenagens do próprio Estado.
É justamente essa mudança de perspectiva que faz com que a continuação não seja apenas uma repetição do primeiro filme. Tropa de Elite 2 preserva a tensão, as cenas de ação e o ritmo acelerado, mas aprofunda sua dimensão política. O personagem central também passa por uma transformação: o homem que acreditava no enfrentamento armado começa a perceber os limites e as contradições do sistema ao qual dedicou a vida.
Um fenômeno brasileiro
O reconhecimento internacional se soma a uma trajetória marcada por números expressivos. O longa levou mais de 10 milhões de espectadores aos cinemas brasileiros e ultrapassou, na época, Dona Flor e Seus Dois Maridos, de 1976, tornando-se um dos maiores fenômenos de público do cinema nacional.
O sucesso, no entanto, não ficou restrito às bilheterias. O filme venceu diversas categorias do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, incluindo melhor longa-metragem de ficção, direção, ator, roteiro original, fotografia e montagem.
A repercussão também ajudou a consolidar internacionalmente as carreiras de José Padilha e Wagner Moura. O ator transformou o coronel Nascimento em um dos personagens mais conhecidos do audiovisual brasileiro, enquanto Padilha ampliou sua atuação fora do país e passou a dirigir produções internacionais.
O primeiro Tropa de Elite já havia conquistado o Urso de Ouro de melhor filme no Festival Internacional de Cinema de Berlim, em 2008. A entrada da continuação na seleção do IndieWire demonstra que o universo criado pela produção brasileira permanece relevante para a crítica especializada.
Um filme que ainda incomoda
Rever Tropa de Elite 2 atualmente é perceber que muitas das questões abordadas continuam presentes no noticiário brasileiro. O crescimento das milícias, a exploração política do medo, a corrupção institucional e a violência que atinge principalmente as populações mais vulneráveis permanecem desafios concretos.
Essa permanência torna o reconhecimento agridoce. Por um lado, valoriza a qualidade artística do cinema nacional. Por outro, revela que a realidade denunciada pela obra ainda está longe de ser superada.
É importante destacar que a relação elaborada pelo IndieWire representa uma seleção editorial, baseada na avaliação dos críticos do veículo, e não uma premiação oficial. Mesmo assim, aparecer entre cem continuações produzidas ao longo de décadas, em diferentes países e contextos, possui um significado simbólico importante.
Tropa de Elite 2 provou que uma sequência pode fazer mais do que repetir uma fórmula de sucesso. Pode ampliar uma história, questionar as certezas do próprio protagonista e obrigar o público a enxergar aquilo que muitas vezes permanece escondido atrás das estruturas de poder.
Ao conquistar espaço em uma seleção internacional, o filme reafirma algo que o público brasileiro já havia reconhecido nas salas de cinema: quando encontra condições para produzir, contar suas histórias e refletir sobre suas próprias feridas, o cinema nacional possui força para dialogar com o mundo.
Fontes: UOL IndieWire e registros do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.



Sensacional. parabéns ao cinema brasileiro.