As muitas faces de Glória Menezes: Um olhar sobre a dama que ajudou a construir a televisão brasileira.
- 19 de ago.
- 3 min de leitura
O dia 18 de agosto de 2026 ficará marcado como um dos mais tristes na memória dos brasileiros, após a perda de duas das maiores atrizes do país em menos de 24 horas. Depois de Laura Cardoso, que partiu aos 98 anos, nos despedimos também de Glória Menezes, aos 91 anos. A atriz nos deixou enquanto estava em sua casa, no Rio de Janeiro, acompanhada de seu filho, Tarcísio Filho, fruto do relacionamento de longa data com o também ator Tarcísio Meira, que partiu em 2021.
Nascida Nilcedes Soares Magalhães, adotou o nome artístico de Glória Menezes logo no início da carreira, na década de 1950, por achar seu nome de nascimento muito complicado para o universo da atuação. E a escolha do nome rendeu bons frutos: a atriz viveu anos de verdadeira glória, tornando-se uma das damas da teledramaturgia brasileira por mais de seis décadas. Menezes não foi apenas uma atriz; ela ajudou a construir a história da televisão brasileira.
A brilhante trajetória de Glória teve início nos palcos do teatro, mas foi nas novelas que ela se consolidou. Em 1959, estreou na TV Tupi e, em 1963, chegou à TV Excelsior, onde contracenou com seu companheiro de vida, o também ator Tarcísio Meira.
Tarcísio e Glória se casaram em 1962 e se tornaram um dos casais mais queridos dentro e fora das telinhas. O amor, a união e o companheirismo dos atores eram a definição perfeita de amor de novela e da vida imitando a arte. Dessa união, nasceu Tarcísio Filho, que herdou dos pais o talento para a atuação e teve o privilégio de contracenar com eles.
Glória chegou à Globo em um período de transformações, quando as novelas estavam em alta, e rapidamente conquistou seu espaço, tornando-se destaque e ganhando papéis importantes que a transformaram em uma das grandes estrelas da dramaturgia. Era impossível citar grandes nomes e não incluir o de Glória Menezes entre eles.
Em 1970, em Irmãos Coragem, ela mostrou todo seu potencial na complexa missão de viver Lara, Diana e Márcia, três personalidades de uma mesma personagem com transtorno dissociativo.
Em 1990, outra personagem histórica entrou em cena: Laurinha Figueiroa, de Rainha da Sucata, uma socialite que vivia de aparências, uma das mais celebradas vilãs interpretadas por Glória.
Já em 2004, outra missão complexa que a atriz incorporou com maestria foi a Baronesa Eleonora, em Senhora do Destino. Nobre e orgulhosa, a personagem teve que lidar com os desafios do avanço da doença de Alzheimer e emocionou o público com a incrível interpretação de Glória Menezes.
Seu último trabalho na televisão foi em 2016, em Totalmente Demais, onde viveu Stelinha Boaz, uma avó sofisticada que dava aulas de etiqueta e dicas de elegância a Elisa, protagonista da trama vivida por Marina Ruy Barbosa, e conquistou mais uma vez o público com seu carisma.
Além da televisão e do teatro, Glória também brilhou nas telas do cinema. Em 1962, atuou em O Pagador de Promessas, interpretando Rosa. O filme venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes, um dos maiores reconhecimentos internacionais conquistados pelo cinema brasileiro.
Glória Menezes se foi, mas deixou uma história de sucesso, ensinamentos, lições e muitas memórias inesquecíveis com cada um de seus personagens. A reverência à dama da dramaturgia será eterna. Sua história de vida com Tarcísio, sua história na TV, no teatro e no cinema serão sempre celebradas pelo Brasil, por todas as futuras gerações da atuação e por aqueles que tiveram o privilégio de vê-la atuar ou contracenar com ela.




Comentários