Romeu Zema defende privatizações e anistia em sabatina no JN
- 27 de ago.
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Ex-governador de Minas Gerais defendeu privatização de estatais, revisão de penas do 8 de janeiro e classificação de facções como terroristas em entrevista à TV Globo.

O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Romeu Zema, foi o primeiro presidenciável a participar da série de sabatinas promovida pelo Jornal Nacional, da TV Globo, na última segunda-feira (24/8). Conduzida pelos apresentadores Renata Vasconcellos e César Tralli, a entrevista durou cerca de 40 minutos e passou por temas como segurança pública, economia, vacinação e a gestão do candidato à frente do governo mineiro.
Propostas para segurança pública e economia
Durante a sabatina, Zema apresentou como principais bandeiras de sua candidatura a privatização de estatais — entre elas Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal — e a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Segundo o candidato, a medida viria acompanhada do envolvimento das Forças Armadas no combate ao crime organizado e da fixação de pena mínima de 25 anos para integrantes dessas organizações. Além disso, o ex-governador defendeu a manutenção do poder de compra do salário mínimo, condicionando eventuais ganhos reais ao desempenho da economia e ao equilíbrio das contas públicas.
8 de Janeiro gera confronto com apresentadores
Um dos momentos de maior repercussão da entrevista ocorreu quando Zema foi questionado sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O candidato reiterou que não considera o episódio uma tentativa de golpe de Estado e defendeu a revisão das penas aplicadas aos condenados, classificando algumas sentenças como desproporcionais. Ao citar o caso de uma condenada, afirmou que ela teria recebido pena de 14 anos apenas por "sujar um monumento público". No entanto, Renata Vasconcellos rebateu a afirmação ainda ao vivo, esclarecendo que a Justiça reconheceu crimes mais graves no processo — como golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e associação criminosa armada — e que, ao todo, foram registradas 1.400 condenações relacionadas aos atos.
Vacinação, salário e gafe sobre políticas para mulheres
Questionado sobre saúde pública, Zema afirmou ser vacinado contra a Covid-19 e disse confiar na ciência, defendendo o acesso facilitado da população às vacinas. Entretanto, posicionou-se contra a obrigatoriedade legal da imunização e contra a criminalização de pais que optam por não vacinar os filhos — ponto rebatido pela apresentadora, que citou o risco à imunização coletiva em caso de queda na adesão às campanhas de vacinação.
Ao mesmo tempo, o candidato precisou explicar o reajuste de quase 300% em seu próprio salário como governador, que passou de cerca de R$ 10,5 mil para aproximadamente R$ 41 mil mensais. Conforme relatou, a Constituição estadual impede que secretários recebam remuneração maior que a do governador, o que teria motivado o aumento para viabilizar salários mais competitivos ao secretariado. Zema afirmou ainda ter doado integralmente seus vencimentos a unidades da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) ao longo dos dois mandatos à frente do Executivo mineiro.
Já ao ser perguntado sobre propostas de combate à violência contra as mulheres, o candidato gerou repercussão nas redes sociais ao responder, de forma confusa, que possuía "uma série de programas contra as mulheres" — declaração que se tornou um dos assuntos mais comentados da noite.
Contextualização: quem é Romeu Zema
Zema, de 61 anos, é empresário formado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e comandou por décadas o Grupo Zema, conglomerado familiar com atuação em varejo de eletrodomésticos, distribuidoras de combustíveis, concessionárias de veículos e financeiras. Ingressou na política em 2018, quando venceu a disputa ao governo de Minas Gerais pelo Novo, então uma legenda pouco conhecida nacionalmente, e foi reeleito em 2022 no primeiro turno, com 56,18% dos votos válidos. Deixou o cargo em março deste ano para concorrer à Presidência.
A sabatina integra uma série de seis entrevistas que o Jornal Nacional realiza ao longo desta semana com os candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto. Além do ex-governador mineiro, estão previstas as participações do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), de Renan Santos (Missão), do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do escritor Augusto Cury (Avante). A presença de Zema no programa ocorreu um dia depois de o candidato cancelar sua participação em um debate promovido pela Rede Bandeirantes em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo.
Informações complementares
Durante a entrevista, Renata Vasconcellos também questionou Zema sobre a trajetória da dívida pública de Minas Gerais em sua gestão, apontando crescimento expressivo do endividamento em relação à arrecadação estadual entre 2019 e 2025. Em resposta, o candidato defendeu o resultado fiscal alcançado nos últimos anos de mandato e citou a evolução do Estado em rankings de transparência pública. Por outro lado, checagens feitas por veículos de imprensa após a sabatina apontaram imprecisões em alguns números citados pelo candidato, evidenciando divergências entre o discurso apresentado e dados oficiais disponíveis sobre as contas mineiras.
Na área da educação, Zema apresentou como meta multiplicar por dez o número de escolas públicas de tempo integral no país, citando como referência o modelo adotado em Minas Gerais durante sua gestão.
Consequências
A entrevista repercutiu amplamente nas redes sociais horas após a exibição, com o nome de Renata Vasconcellos chegando a superar as menções ao próprio candidato. Internautas destacaram a condução da sabatina pelos apresentadores, enquanto apoiadores do Novo saíram em defesa de Zema, reforçando o histórico de sua gestão à frente de Minas Gerais.
Próximos passos
Nos próximos dias, o Jornal Nacional deve dar sequência à série de sabatinas com os demais presidenciáveis mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais, ampliando o debate sobre propostas de governo a poucos meses das eleições de outubro. Dessa forma, a expectativa é de que os temas abordados na entrevista com Zema — como segurança pública, papel do Estado na economia e revisão das condenações do 8 de janeiro — continuem no centro do debate público ao longo da campanha.
Quem é Romeu Zema
Aos 61 anos, Zema é empresário formado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e comandou por décadas o Grupo Zema, conglomerado familiar com atuação em varejo de eletrodomésticos, distribuidoras de combustíveis, concessionárias de veículos e financeiras. Entrou na política em 2018, quando venceu a disputa ao governo de Minas Gerais pelo Novo, então uma legenda pouco conhecida nacionalmente, e foi reeleito em 2022 no primeiro turno, com 56,18% dos votos válidos. Deixou o cargo em março deste ano para concorrer à Presidência da República.



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