
O Diabo Veste Prada e a conversa direta com o jornalismo atual
Na sequência do filme que conquistou o público em 2006, vemos a protagonista Andy em um dilema após ser demitida do jornal em que trabalhou por 20 anos, devido a um corte de gastos que causou a dispensa de toda a equipe. A partir daí, inconformada e desamparada, após manifestar sua indignação pela demissão coletiva durante o discurso de uma premiação, Andy começa sua busca por novas oportunidades no mercado até receber uma proposta para retornar à Runway, revista que continua sob o comando da temida Miranda Priestly. Porém, o trabalho de Andy, dessa vez, não é relacionado à moda. Ela foi chamada com a missão de ajudar a conter a crise que circula na mídia após uma publicação sem verificação prévia que elogiou uma empresa posteriormente acusada de violação de leis trabalhistas, causando manchas à reputação da revista e declínio de investimentos.
Agora Andy se depara com um novo desafio, enfrentado por muitos jornais e revistas da mídia impressa: adaptar-se ao novo, utilizar uma linguagem que dialogue com o público atual sem perder a identidade da Runway e, além de tudo, conseguir prender e conquistar a atenção do leitor, que parece mais interessado em matérias sensacionalistas ou fofocas de celebridades.
As críticas do filme dialogam de forma leve e, ao mesmo tempo, marcante com o que vivemos na realidade. Cortes de gastos por pouca adesão à mídia impressa, a dificuldade das mídias em se adaptar a novos meios de informação e ao público atual, além da dificuldade em encontrar diálogos que mantenham a atenção do público, que anseia por informação rápida, direta, porém coesa. Além disso, o filme instiga o público a refletir sobre o que, de fato, consumimos, o que é interessante, o que é necessário e qual o impacto dessas notícias para quem escreve e para quem consome.
No decorrer do filme, podemos ver uma Andy que, independentemente dos desafios — que são muitos —, tem muita garra e amor à profissão, e esse é o diferencial pelo qual a personagem se destaca. Ela se recusa a abandonar seus princípios e tenta, a todo custo, salvar a revista.
Reflexo dos profissionais éticos e sérios que amam a profissão que escolheram e que, assim como Andy Sachs, não medem esforços para informar, lutam pelo compromisso com a verdade e se adaptam como camaleões aos novos veículos e maneiras de informar para continuarem na profissão dos sonhos.



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