Incidente com material radioativo no IPEN da USP é investigado por autoridades nucleares; entenda o caso

CNEN confirma incidente Radioativo envolvendo tecnécio-99 em unidade da USP e afirma que não houve contaminação interna dos trabalhadores
Um incidente envolvendo material radioativo no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), localizado no campus da Universidade de São Paulo (USP), está sendo analisado pela Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) após confirmação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).
O caso ocorreu no fim de maio e ganhou repercussão nacional após a divulgação de informações sobre a presença de traços de tecnécio-99 em uma área controlada do Centro de Radiofarmácia da instituição. Segundo os órgãos responsáveis, não houve risco à população nem contaminação interna dos trabalhadores envolvidos.
O que aconteceu no IPEN?
De acordo com informações oficiais da CNEN, o incidente foi registrado durante procedimentos relacionados à produção de radiofármacos utilizados na medicina nuclear.
O episódio ocorreu durante a retirada de sensores biológicos de uma autoclave empregada no processo produtivo de geradores de molibdênio-99 e tecnécio-99m. Durante a atividade, foram detectados vestígios do material radioativo em uma área de trabalho controlada.
Dois profissionais classificados como Indivíduos Ocupacionalmente Expostos (IOEs) tiveram contato com a contaminação superficial e foram imediatamente submetidos aos protocolos de segurança radiológica previstos para esse tipo de ocorrência.
Trabalhadores passaram por exames especializados
Segundo a CNEN e o próprio IPEN, os dois trabalhadores realizaram exames de Contador de Corpo Inteiro, equipamento utilizado para verificar a presença de material radioativo dentro do organismo.
As análises apontaram níveis baixos de radiação e descartaram qualquer contaminação interna.
Em nota oficial, o IPEN informou que a contaminação ficou restrita às vestimentas e equipamentos utilizados pelos profissionais durante a operação. Após a identificação do problema, foram realizados procedimentos de descontaminação, isolamento da área e monitoramento dos envolvidos.
A instituição destacou que nenhum trabalhador sofreu consequências à saúde e que não há funcionários sob observação médica em decorrência do incidente.
O que é o tecnécio-99?
O tecnécio-99 é um radioisótopo amplamente utilizado na medicina nuclear para diagnósticos por imagem.
Sua versão metastável, conhecida como tecnécio-99m, está presente em milhões de exames realizados anualmente em hospitais e clínicas de todo o mundo, auxiliando na identificação de tumores, doenças cardíacas, alterações ósseas e diversas outras condições médicas.
Especialistas apontam que o material possui características físicas que o tornam adequado para uso médico, incluindo emissão controlada de radiação e meia-vida relativamente curta, permitindo sua utilização segura quando manipulada dentro dos protocolos estabelecidos.
Investigação continua
Apesar da avaliação inicial indicar ausência de danos à saúde dos trabalhadores, a ocorrência segue sob análise da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN).
A CNEN informou que elaborou o Relatório de Ocorrência Interna (ROI nº 04/2026), documento que reúne medições, procedimentos adotados e avaliações técnicas realizadas após o incidente.
A ANSN deverá examinar toda a documentação para verificar o cumprimento das normas de segurança e determinar se serão necessárias medidas adicionais.
Além disso, a Radiofarmácia do IPEN recebeu uma notificação técnica para apresentação de informações complementares às autoridades reguladoras.
Instituto é estratégico para a saúde brasileira
O IPEN desempenha papel fundamental no sistema de saúde nacional. Vinculado à CNEN, o instituto é responsável por grande parte da produção de radiofármacos utilizados no Brasil.
Dados oficiais indicam que a instituição abastece aproximadamente 430 clínicas e hospitais em todo o país, contribuindo para cerca de 2 milhões de procedimentos médicos anuais, muitos deles relacionados ao diagnóstico e tratamento de pacientes com câncer.
Por esse motivo, autoridades reforçam que o episódio ocorreu dentro de uma área controlada, destinada justamente ao manuseio de materiais radioativos, e que os sistemas de monitoramento funcionaram conforme previsto ao identificar rapidamente a ocorrência.
Não houve risco para a população
Até o momento, não há evidências de vazamento para áreas externas do instituto ou de exposição da população ao material radioativo.
As informações divulgadas pela CNEN, pelo IPEN e pela ANSN indicam que a ocorrência permaneceu restrita ao ambiente operacional controlado do Centro de Radiofarmácia.
A investigação técnica prossegue para esclarecer todos os detalhes do incidente e avaliar eventuais aperfeiçoamentos nos protocolos de segurança já adotados pela instituição.



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