Wise lança cartão para crianças e adolescentes no Brasil com controle dos pais pelo aplicativo
- caue henrique
- 22 de jun.
- 4 min de leitura
Nova modalidade da fintech permite que jovens de 6 a 17 anos façam compras, saques e pagamentos digitais com supervisão dos responsáveis em tempo real

Produto, chamado de “Mesada”
no Brasil e “Young Explorer” em outros mercados, faz parte da estratégia da Wise de ampliar sua presença entre famílias e apostar na educação financeira desde cedo
A fintech Wise anunciou o lançamento de um cartão voltado para crianças e adolescentes de 6 a 17 anos, com recursos de controle parental pelo aplicativo e foco em educação financeira. A novidade, chamada de Mesada no Brasil, permite que os jovens façam compras em lojas físicas, online e até saques em caixas eletrônicos, enquanto pais ou responsáveis acompanham toda a movimentação em tempo real pelo celular. O produto já está disponível para clientes da Wise que moram no Brasil, segundo informações da própria empresa.
Wise entra na disputa por serviços financeiros para menores
Com a novidade, a Wise amplia sua atuação no mercado de produtos financeiros voltados ao público jovem — um segmento que vem ganhando força nos últimos anos com a popularização de bancos digitais, carteiras eletrônicas e soluções de educação financeira para crianças e adolescentes.
A proposta da empresa é oferecer aos responsáveis uma ferramenta para introduzir os filhos no universo do dinheiro de forma prática, monitorada e com limites definidos. Na prática, o cartão funciona como uma extensão da conta do adulto: a criança ou adolescente usa apenas o saldo que o responsável reservar, sem acesso a uma conta própria independente.
Como funciona o cartão da Wise para crianças e adolescentes
O novo produto foi desenhado para funcionar dentro do ecossistema da própria Wise. Para solicitar o cartão, o adulto precisa já ser cliente da fintech e atuar como pai, mãe ou responsável legal pelo menor. A partir daí, é possível pedir um cartão físico para a criança ou adolescente e abastecê-lo diretamente pelo aplicativo.
Segundo a Wise, o responsável pode:
adicionar dinheiro em segundos;
acompanhar todas as transações em tempo real;
definir limites diários e mensais de gastos;
monitorar compras e retiradas;
gerenciar o uso do cartão diretamente pelo app.
O jovem, por sua vez, poderá utilizar o cartão em compras presenciais, pagamentos online e saques em caixas eletrônicos, inclusive em uso internacional, desde que haja saldo disponível. Em alguns mercados, adolescentes a partir de 13 anos também podem adicionar o cartão ao Apple Pay ou Google Pay; no Brasil, a disponibilidade de alguns recursos ainda depende da evolução da oferta local.
Produto aposta em autonomia com supervisão
O movimento da Wise segue uma tendência global do setor financeiro: oferecer mais autonomia para o público jovem sem abrir mão do controle dos pais. Em vez de entregar um cartão tradicional com acesso irrestrito, a fintech aposta em um modelo supervisionado, no qual o responsável continua no centro da gestão do dinheiro.
Isso significa que a criança ou adolescente não pode adicionar recursos por conta própria nem movimentar uma conta separada. Todo o valor utilizado no cartão é transferido e controlado pelo adulto, o que reduz riscos e permite um acompanhamento mais próximo da rotina financeira do menor.
Além da praticidade, o produto tenta se posicionar como uma ferramenta de aprendizado. Ao usar um cartão no dia a dia, o jovem passa a ter contato com conceitos como saldo, limite, organização de gastos e responsabilidade no consumo — mas dentro de um ambiente com supervisão.
Disponibilidade no Brasil e regras da nova modalidade
A Wise informa que o cartão para crianças e adolescentes está disponível para titulares de conta da empresa que moram no Brasil, além de outros mercados selecionados, como Austrália, Nova Zelândia, Singapura, Suíça e Reino Unido. No caso brasileiro, o produto é oferecido para usuários de 6 a 17 anos.
Entre as regras informadas pela plataforma, os pais podem estabelecer limites de uso por período. No Brasil, a Wise informa que o gasto mensal do cartão pode chegar a R$ 10 mil, dentro das regras e limites aplicáveis à conta do responsável.
A empresa também destaca que o cartão não cobra mensalidade recorrente, embora haja cobrança de tarifa única para emissão do cartão físico, de acordo com a região.
Estratégia da Wise vai além das transferências internacionais
Conhecida principalmente por serviços de transferências internacionais e contas multimoedas, a Wise vem ampliando sua oferta de produtos para se tornar mais presente no cotidiano financeiro dos usuários. O cartão para menores faz parte dessa expansão e ajuda a empresa a entrar em um espaço estratégico: o relacionamento com famílias.
Ao lançar uma solução voltada para crianças e adolescentes, a fintech não apenas cria um novo serviço, mas também fortalece o vínculo com clientes já existentes, aumentando a chance de retenção e uso do ecossistema da marca ao longo do tempo.
Esse tipo de movimento também acompanha a transformação do setor financeiro, que deixou de olhar apenas para o adulto pagador e passou a disputar a atenção de famílias inteiras — incluindo filhos que já crescem habituados a resolver boa parte da vida pelo celular.
O que o lançamento representa para o mercado
A entrada da Wise nesse segmento reforça a consolidação de um mercado que mistura tecnologia, educação financeira e experiência digital. Nos últimos anos, diferentes bancos e fintechs passaram a testar contas infantis, cartões supervisionados e sistemas de mesada digital, tentando ocupar um espaço que antes era pouco explorado pelas instituições tradicionais.
No caso da Wise, o diferencial está na integração com a sua estrutura global de pagamentos e câmbio, o que pode tornar o produto especialmente atrativo para famílias que viajam, fazem compras internacionais ou já utilizam a plataforma para movimentar dinheiro em diferentes moedas.
Mais do que lançar um novo cartão, a empresa entra em uma disputa por um consumidor que está sendo formado agora: o jovem usuário digital, acostumado a aplicativos, pagamentos por aproximação e controle financeiro em tempo real.



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