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Quando a internet escolhe não se importar: o silêncio em torno do caso Celeste Rivas Hernandez

  • Foto do escritor: Mariana Rodrigues
    Mariana Rodrigues
  • 9 de mai.
  • 3 min de leitura


Em uma era em que as redes sociais transformam qualquer polêmica em assunto global em questão de minutos, chama atenção o silêncio em torno do caso da adolescente Celeste Rivas Hernandez. Enquanto términos de celebridades, brigas entre fandoms e discussões superficiais dominam timelines por dias, o assassinato brutal da jovem recebeu repercussão limitada, apesar da gravidade e da crueldade do caso.

Celeste tinha 14 anos quando foi encontrada morta, em setembro do ano passado, dentro do porta-malas de um Tesla em um estacionamento de Hollywood. O veículo pertencia ao cantor e compositor estadunidense David Anthony Burke, conhecido artisticamente como d4vd, apontado pelas investigações como principal suspeito do crime.

De acordo com as autoridades, o corpo da adolescente estava esquartejado e em avançado estado de decomposição. A polícia acredita que o assassinato tenha ocorrido em abril, cerca de cinco meses antes da descoberta do corpo. Partes do corpo teriam sido encontradas separadas em sacos plásticos, e alguns membros da vítima seguem desaparecidos até hoje. Documentos da promotoria apontam que o corpo da adolescente teria sido desmembrado com o uso de uma motosserra dentro da garagem da casa do cantor. Os investigadores afirmam ainda que uma piscina inflável infantil teria sido usada durante a ocultação do corpo, e fragmentos do material teriam sido encontrados junto aos restos mortais

Os investigadores afirmam ainda que Celeste morreu após sofrer golpes de faca. Durante a apuração, também foram encontradas mensagens trocadas entre a adolescente e o cantor, que indicariam um envolvimento sexual entre os dois — situação que, devido à idade da vítima, pode configurar estupro de vulnerável. Segundo informações divulgadas pela investigação, as conversas mencionavam uma possível gravidez, aborto e ameaças da jovem de expor o relacionamento, o que pode ter motivado o crime.

Mesmo após o desaparecimento de Celeste, David seguiu normalmente com sua carreira artística. O cantor lançou músicas, realizou apresentações e manteve sua agenda pública até que o corpo da adolescente fosse encontrado. Após a prisão do artista, internautas passaram a revisitar videoclipes e letras de músicas antigas em busca de possíveis referências ao caso.

Uma das músicas mais comentadas foi “Romantic Homicide”, lançada em 2022, cuja letra gerou debates nas redes sociais depois que veio à tona a informação de que David e Celeste teriam se conhecido quando ela tinha apenas 11 anos. Alguns videoclipes do cantor também passaram a repercutir por apresentarem cenas em que corpos são arrastados ou colocados em porta-malas, embora não exista confirmação oficial de qualquer relação direta entre as produções e o crime investigado.

Além disso, segundo as autoridades, uma quantidade significativa de material de pornografia infantil teria sido encontrada na residência do cantor, incluindo arquivos envolvendo a própria vítima. David Anthony Burke foi preso no mês passado e se declara inocente de todas as acusações.

O que mais impressiona, porém, não é apenas a brutalidade do caso, mas a forma como ele parece ter sido rapidamente engolido pelo fluxo acelerado das redes sociais. Diferentemente de outros episódios que geram campanhas massivas de cancelamento e julgamentos instantâneos na internet, o assassinato de Celeste recebeu atenção limitada de grandes páginas, influenciadores e parte significativa do público.

O contraste levanta um questionamento inevitável: quais são, de fato, as prioridades da internet? Por que escândalos banais conseguem mobilizar milhões de pessoas enquanto casos extremamente graves desaparecem das discussões em poucos dias? Onde está o chamado “tribunal da internet”, tão rápido para condenar sem provas em algumas situações, mas tão silencioso diante de tragédias como essa?

Celeste Rivas Hernandez tinha apenas 14 anos. Mais do que um nome em meio ao noticiário policial, era uma adolescente cuja história foi interrompida de forma brutal. E o silêncio coletivo diante de casos como o dela talvez diga muito sobre a maneira como a sociedade consome dor, violência e indignação na era digital.

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